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PORTUGAL VOLTA A ENVIAR UMA UNIDADE DE COMBATE PARA A MISSÃO DA NATO NO AFEGANISTÃO NO MOMENTO EM QUE SE MULTIPLICAM APELOS A UMA REVISÃO DA ESTRATÉGIA DA COLIGAÇÃO. (28 JAN. 10).
Portugal iniciou a sua participação na ISAF em 2003 e manteve desde então uma presença naquele teatro, com destaque para a força de reacção rápida que ali esteve entre 2005 e 2008, registando duas baixas. Em 2009, Portugal apoiou as presidenciais afegãs com um avião C-130.
Portugal mantém actualmente no país duas equipas de assessoria ao Exército afegão (OMLT), uma equipa médica e três elementos no quartel-general, num total de uma centena de militares. Com a partida para o Afeganistão da nova unidade de combate, a presença militar portuguesa elevar-se-á a mais de 250 homens.
A participação na ISAF raramente mobilizou grande debate político em Portugal. O envio de uma unidade de combate suscitou, porém, alguma polémica. A decisão surgiu na sequência da revisão da estratégia norte-americana, em Março de 2009, e dos apelos de Washington ao reforço do contributo europeu para o esforço de guerra.
A decisão - num momento em que em outros países europeus se hesitava na resposta ao apelo de Obama - mereceu acesas críticas do PCP e do Bloco de Esquerda, que acusaram o Governo de "seguidismo" em relação à política norte-americana.
A missão que os Comandos portugueses se preparam para iniciar no Afeganistão ocorre num contexto marcado pela "nova estratégia" e pelo reforço militar anunciados por Barack Obama, no início de Dezembro, e pela estratégia de contra-insurreição elaborada pelo comandante das forças da coligação, o general Stanley McChrystall.
No plano político, assumem particular relevo neste contexto declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros defendendo a urgência de uma definição clara das perspectivas da União Europeia em relação ao conflito do Afeganistão, de modo a evitar uma "permanente subordinação" às concepções definidas em Washington. Declarações que surgem no momento em que se insiste cada vez mais na vertente civil e de desenvolvimento em detrimento da via puramente militar.
A conferência internacional sobre o Afeganistão que se reúne hoje, uma iniciativa que partiu exactamente de capitais europeias - Paris, Londres e Berlim -, dá expressão a esta abordagem e poderá introduzir elementos novos no contexto político do conflito afegão.
FONTE: publico.pt
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